Ritmo de vida acelerado, estresse, má alimentação e sedentarismo são elementos que cada vez mais fazem parte do estilo de vida moderno. Muito já se sabe sobre a má repercussão que tais elementos provocam na saúde, contribuindo para o aparecimento de diversas doenças, como, por exemplo, as que atingem o funcionamento intestinal.
A constipação é caracterizada pela presença de fezes endurecidas, períodos prolongados entre uma evacuação e outra, evacuação insatisfatória, esforço excessivo ao evacuar, podendo apresentar distensões abdominais com dores e flatulência. Seu aparecimento está relacionado aos maus hábitos alimentares, ao controle sistemático da defecação, ingestão de determinados tipos de medicamentos e alguns tipos de doenças2,4.
A constipação intestinal leva ao cólon a presença de fezes putrefativas, provocando o aparecimento de placas duras e aderentes na mucosa intestinal, que liberam toxinas para todo o organismo. Essas toxinas podem ser absorvidas pela pele, resultando em um quadro de urticária e acne, ou pelas articulações, gerando quadros de inflamações ou até de lesões articulares, como a artrite reumatóide³.
Em casos de fezes muito endurecidas ou períodos prolongados sem a defecação, muitas vezes, faz
‐se uso dos laxantes, medicamentos que provocam artificialmente os reflexos de evacuação. Sua utilização deve ser encarada apenas como uma etapa inicial do tratamento da doença e deve ser indicada pelo médico. O abuso deste tipo de medicamento pode agravar ainda mais a situação, trazendo prejuízos em longo prazo para o intestino e causando, muitas vezes, dependência psicológica.
Em algumas situações, o indivíduo apresenta uma alimentação equilibrada, mas a distância do banheiro de casa dificulta o funcionamento do intestino. Se o reflexo de evacuação não é respeitado, as fezes se acumulam e o intestino vai absorvendo a água contida nelas. Esse processo dificulta ainda mais a posterior eliminação das fezes.
Já a síndrome do intestino irritável, caracteriza-se por uma alta sensibilidade intestinal que pode decorrer de infecções, maus hábitos alimentares, ingestão de algum alimento específico e estresse. Esta síndrome manifesta‐se através de sintomas como a diarréia (afetando um terço dos casos e mais comumente no sexo masculino), a constipação intestinal (afetando um terço dos casos e mais comumente no sexo feminino) ou como a transição entre estes dois sintomas (afetando ambas as populações). Além disso, estes sintomas manifestam‐se em episódios e podem vir acompanhados de dores e distensões abdominais e prejudicam o dia‐a‐dia e a vida social das pessoas que sofrem com esta condição3,5,6.

Nos casos de disfunções intestinais, existe um desequilíbrio, denominado disbiose³,
entre os microrganismos da microbiota e os patógenos, causadores de doenças. O predomínio de
microrganismos patogênicos afeta negativamente as funções gastrintestinais, desequilibrando a produção de secreções do estômago, pâncreas, fígado e intestino. Muitos nutrientes deixam de ser absorvidos e outros de serem sintetizados, como é o caso das vitaminas do complexo B. Além disso, no caso do estresse, os microrganismos patogênicos interferem nos mecanismos relacionados à síntese de serotonina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e bem estar, diminuindo sua produção e podendo, em alguns casos, levar à depressão³.
Desta forma, torna-se claro como o bom funcionamento intestinal é imprescindível para a manutenção da saúde. A combinação entre alimentação equilibrada, rica em fibras, água e alimentos probióticos; a prática constante de atividade física e o respeito aos reflexos de evacuação, são fatores determinantes para o bem estar físico, mental e emocional.
Referências Bibliográficas:
1. Danone Research. O conceito de defesas naturais do organismo.
In Monografia Actimel. Material destinado a profissionais de saúde.
2. Santos Júnior JCM. Constipação Intestinal. Rev Bras Coloproct
, 2005; 25 (1): 79‐93.
3. Almeida LB et al. Disbiose intestinal. Rev Bras Nutr Clin, 2009; 24 (1): 58
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4. de Morais MB E
et alii. Constipação intestinal. J Pediatr, 2000; 76 (2): 147‐156.
5. Helfenstein Jr M, Heymann R, Feldman D. Prevalência de Síndrome do Cólon Irritável em pacientes com fibromialgia. Rev Bras Reumatol, 2006; 46 (1):16
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6. WGO. Irritable bowel syndrome: a global perspective. World Gastroenterology Organization Global Guidelines, 2009.
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BARBARA MAGALHÃES DE CARVALHO - NUTRICIONISTA